sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Reflexo


A moça achava que aquilo tudo era antipatia, o que de fato não era. Eles eram tão parecidos que nada aconteceu, e tudo isso, para ela, ficou parecendo irreal.
Ambos viviam em seus próprios mundos: calados, introspectivos, quase intangíveis.
Ele usava preto, gostava de rock, tinha um rosto bonito e uma voz contida que em meio tanta gente nunca lhe era direcionada.
Ela usava preto, gostava de rock, pintava as unhas de vermelho e tinha a altura ideal. Feita na medida para ele.
Durante a noite, enquanto ele tocava despretenciosamente sua gaita ela se embriagava esperando por uma aproximação e fantasiava fazer amor com ele em cima da mesa de sinuca.
Os olhos sorriem, as mãos se tocam, e de repente tudo ficou estranho e inacabado.
Ela ainda espera desvendar os mistérios contidos nos olhos dele.
Ele? Talvez.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cilada (parte 2)

O tempo vai passando e as pessoas vão baixando a guarda, o medo de ser substituido some e ficam até simpáticos com você. Colegas te ajudam com o serviço, sorriem pra você e até começam a falar de suas vidas, dos finais de semana e das preferências.
Passada a fase de aproximação começa a convivência. Um sinal de que você está indo bem no emprego, porém, em certos momentos, bate aquele arrependimento de querer ser sociável no trabalho. Tais momentos surgem quando os colegas te chamam para frequentar botecos para jogar sinuca após um dia de árduo trabalho. Fiquem atentos ao primeiro sinal e muito cuidado, pois o caminho é irreversível.Aceito o primeiro convite a tendência é piorar.
Confraternizações ao fim do dia são legais até que surjam convites para baladas noite a dentro. Surgido o primeiro convite: corra! De verdade, pode ser perigoso.
O convite de balada a mim feito foi cruel. Daí em diante comecei a perceber que algo teria que ser feito.

" Quer sair com a gente hoje, Emilia?
Vamos numa balada que vai ter cerveja a R$1,oo, mulher não paga até a meia-noite e vai ter MC cantando funk."

CILADA DEMAIS!

Depois da recusa de tal convite comecei a me impor e deixar claro minhas preferências musicais e culturais. Assim realmente não dá! Colegas de trabalho te chamarem para baile funk é sinal de que alguma coisa deve ser feita urgente para que ainda sobre um pouco do bom relacionamento ali começado.

Depois de tal experiência não tenho certeza se é tão valiosa a sociabilidade pós horário comercial. A não ser que vc esteja entre os seus; CORRA! Porque daí para a perdição é um pulo.

Não sei o que me espera, só sei que cada dia é uma nova cilada. E outras virão, mas no fim a gente dá risada.

domingo, 13 de setembro de 2009

Cilada (Parte 1)

(Este post foi inspirado no programa do Bruno Mazzeo, homonimo do título)

Estava eu, assistindo ao programa Cilada, do canal Multishow, quando percebi que eu estou vivendo uma verdadeira cilada. Sim, meu novo emprego é uma cilada.

Saida do interior, em busca de uma nova vida e novos horizontes (putz, que merda), resolvi tentar a vida em BH. E para um recomeço preciso me agarrar a um emprego para me manter — mesmo que este não seja o melhor do mundo. Aqui estou eu: a princípio fiquei feliz por conseguir, em uma capital, um emprego perto de casa. Cômodo para mim, mas mal sabia eu a enrascada em que estava me metendo.
Vamos começar do princípio: o primeiro dia de trabalho. Caótico. Pessoas hostis, e aqueles olhares de :"vou perder meu emprego". Porque será que as pessoas acham que funcionário novo é sinônimo de demissão? Muito chato isso — para o novato é claro!
Logo no primeiro dia de trabalho, ao invés de uma recepção amigável, uma apresentação aos funcionários ganhei um verdadeiro "se vira maluco!". Fui jogada aos leões de cara, e como meu primeiro dia, tentei ser simpática e absorver um pouco daquela atmosfera. Triste ilusão. Fora um ou dois, fui mal tratada pelos demais.
Ta bom, talvez isso seja até "normal" para principiates, mas aí vem a parte tensa: conhecer os patrões. Sim, eu disse PATRÕES, no plural. Como se 1 patrão não bastasse, e não te desse aquele pânico. Eu tenho 5. Aí, às vezes eu pergunto: A quem obedecer? Obedeço à patroa solteirona mal comida? Obedeço o cara com cara e nome de vilão de filme mexicano? Aquela que vive na sua sala e foda-se o mundo lá fora? Ao cara de meia idade que se acha garotão pegador? Ou à velha impaciente, que aos 70 anos de idade, ao invés de estar fazendo tricô ou viajando por aí está tomando conta do negócio com medo que seus funcionários lhe roubem? Questão difícil e que até hoje não consegui responder.

Mas os problemas não acasbam aqui, apenas começam...

Continua.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Procura-se heróis para o cinema brasileiro


Indiscutívelmente o cinema brasileiro melhorou muito e melhora a cada dia. Um cinema antes menosprezado e desvalorizado vem ganhando espaço e sendo premiado e cultuado por aqui e em muitos lugares no mundo inteiro.

Porém algumas notícias de futuras películas a serem lançadas em terra Tupiniquim vêm me causando algum incômodo, ou melhor dizendo, vem me causando muita indignação. Nomes como Belo, Frank Aguiar, Bruna Surfistinha e Lula já teem tudo pronto para rodarem seus filmes, e diante disto eu me pergunto:"PORQUE"? Porque diabos eu iria ao cinema assistir ao filme do Belo? Frank Aguiar? Bruna Surfistinha? Lula? Ok, ele é o presidente do Brasil, de origem pobre, sem estudos, mas, em termos políticos não contribuiu muito para nosso país. E , diga-se de passagem, será o maior orçamento já gasto no cinema brasileiro.

Ah, e falam até em uma continuação para o filme "Dois Filhos de Francisco"... é, isso mesmo!

Eu até entendo que todo ser humano gostaria de ter um filme sobre sua vida, mas generalizar assim? Vira palhaçada.

Onde estão os nossos heróis? Aqueles que mudam realmente alguma coisa, aqueles que contribuem para um bem geral. Não sei, viu. Talvez estejam passando despercidos diante de tantas palhaçadas e tantas coisas ruins que vemos na mídia todos os dias.

Realmente sinto muito por essa leva de cinema biográfico brasileiro e dou graças àqueles que ainda fazem o bom cinema, àqueles que não se vendem por roteiros de massa.

Luzes, camêra e REAÇÃO!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Alegria pouca é bobagem


Desculpem pela ausencia ( na verdade DESCULPE, porque a única pessoa que me visita aqui é o Luh, rs), mas ando sem inspiração para escrever algo de útil ou algo que realmente tenha vindo das profundezas do meu ser...rs...resumindo: acho que não sei escrever fora do meu quarto ou talvez esteja feliz demais, e estar feliz demais não é bom para escritores.

Bem, vida nova em BH. Novos horizontes, novos amigos, novas ciladas, grandes encontros, grandes roubadas, descobertas e muitas coisas que me renovaram, me fizeram ver que ainda existe esperança para minha vidinha tão medíocre.

Em apenas um mês me diverti mais do que um ano em minha antiga cidade, e é impressionante como me sinto em casa por aqui e como não tenho a mínima vontade de voltar pra casa. Acho que realmente existe um lugar no mundo para cada pessoa.

Muita coisa vem acontecendo e sei que a tendencia é melhorar, mas se eu ficar descrevendo cada coisa vivida por aqui vai ficar meio chato — algumas são impublicáveis—, então, só tenho a dizer que a felicidade reina, e que estou escrevendo esse novo capítulo de minha vida de maneira especial (com caneta tinteiro e aquelas letras de realeza, saca?).

A vida segue e eu tô sorrindo de novo.

domingo, 21 de junho de 2009

Sobre ser adulto

Se eu soubesse que ao crescer teria tantos medos:teria pulado mais de balanços em movimento, subido em árvores até o topo e escalado montinhos de terra com muito mais frequência.

Se eu soubesse que ser adulta é tão dura:teria dado mais risadas, me lambuzado mais com sorvete e, com certeza, teria brincado muito mais na rua.

É triste olhar para trás e ver que tantos sonhos se perderam pelo caminho, tanta gente foi deixada. É muito dificil olhar para mim e ver que o que eu sou o que eu quero ser só depende de mim. Não é que eu seja dependente, mas é assustador encarar este mundo que te exige tanto quando o que você mais queria, era somente coisas simples.
Não quero me matar de trabalhar para ganhar milhões, mas me sinto na obrigação de retribuir o que meu pai me deu. Não quero me prender à uma pessoa e jurar amor eterno, mas sinto falta de alguém ao meu lado. Não quero fazer tudo o que os outros fazem para se divertirem, mas preciso me soltar de vez em quando.Fazer escolhas nunca foi meu forte.

É impossível explicar o que eu sinto, talvez meu problema exija anos de terapia, talvez não tenha solução, talvez eu seja demais para esse mundo vazio ou de menos, não tenho como dizer...


Resumindo: crescer dói! E este, definitivamente, não é o mundo que eu quero para viver.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

(IN)Feliz Dia dos Namorados.


Não tem como fugir deste dia, ele está na TV, nas rádios, na internet e nas ruas. Ahhhhh, o amor.Infelizmente, para mim, este dia não significa nada, não tenho ninguém para fazer declarações melosas e passar o dia vendo filme romântico, por isso, para não fugir do tema, resolvi listar meus cinco casais preferidos da TV/Cinema:


1 - Paul 'Fred' Varjak e Holly Golightly (Bonequinha de Luxo) - É o casal dono de um amor improvável e estranho. Mas se é amor, não tem porque ser racional.


2 - Seth Cohen e Summer Roberts (O.C.) - Amor adolescente e bem humorado, com todos os seus conflitos e descobertas. Fofos, eu diria.


3- Rui e Vani (Os Normais) - O casal de verdade, com problemas, discussões e rotina.


4- Mickey e mallory ( Assassinos por Natureza) - O casal terror. São loucos, eu sei, mas são adoraveis.


5- Joel Barish e Clementine Kruczynski (Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças) Okay, eles são complexos e talvez representem o amor na sua forma mais doída: a hora de esquecer. Esse casal toca na ferida de cada um e tenho certeza que qualquer pessoa se identifica com eles em determinado momento.


Bem, estes são meus pombinhos preferidos, e pra quem tem seu "morzinho": Feliz Dia dos Namorados.


"Cuide bem do seu amorSeja quem for."

sábado, 30 de maio de 2009

A little bit Amelie Poulain

A revista Época, desta semana, publicou uma matéria sobre Rogério Gonçalvez Cunha, um "homem-placa" que ganha a vida na Avenida Paulista.

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/1,,EMI74947-15375,00.html


Além de trabalhar de segunda a sexta, Rogério sai às ruas nos finais de semana levando cartazes com mensagens positivas, engraçadas e criativas com o propósito de melhorar o dia dos que por ali passam.
Até aí tudo bem, é uma história um tanto quanto normal, porém o que me chamou a atenção foi a alegria que este homem tem em desempenhar seu trabalho. Não é um trabalho que lhe proporciona status e muito menos rios de dinheiro, mas é o que deixa em paz seu coração.

É isso, gente! Trabalho também pode — e deve — dar prazer. Sempre me pego pensando em fazer algo que me complete a alma e me dê uma graninha no fim do mês. Não quero muito dinheiro, quero ter felicidade, ter tempo pra fazer outras pessoas felizes, ver o sol nascer, sentir a natureza. Ser um pouquinho Amelie Poulain não faz mal a ninguém.

Será que vale mesmo a pena pessoas se "matarem" por um emprego — a exemplo do programa "O Aprendiz"— com fardos pesadíssimos e humilhações públicas? Concordo que é um caminho muito mais rápido para ganhar um bom dinheiro e se tornar um bam bam bam nos negócios, mas eu, sinceramente, prefiro ser leve.
(Este comentário não tem como objetivo menosprezar o programa "O Aprendiz" e seus participantes, é apenas meu ponto de vista.)

Me anima saber que existem pessoas que fazem coisas por amor e que não levam jeito e não querem ser Gregor Samsa.




sexta-feira, 29 de maio de 2009

Memórias de uma suicida

Lá estava ela. Enviesada na cama, mirando o teto mofado de seu quarto que há muito precisava de reforma.
Indiscutivelmente sua vida era um caos, um erro que já durava 28 anos.
O pai morreu assassinado por divida de jogo na porta de sua casa há 13 anos; a mãe desequilibrada foi parar num manicômio e a irmã mais nova juntou-se com um velho rico e estava fora do Brasil.
Pobre mulher! Era uma inútil diante do mundo. Carregava no ombro uma vida traumática e solitária.
Fora uma criança frágil e introspectiva, mas sabia que tudo isso era culpa da própria mãe. Quando ainda tinha saúde mental, a humilhava publicamente por ser tímida, dizia que a menina era boba e que nunca seria nada na vida. Realmente, não era. Mas a mágoa maior era do pai, que preferia sua irmã menor descaradamente. Aos passeios de domingo com as duas meninas exibia a garotinha linda que era sua filha mais nova, deixando-a de lado, quase invisível. Um ou outro de seus amigos a olhava e dizia: “que menininha fofa esta outra”, mas ela sabia que era por dó. Não tinha a metade da graça e do encanto de sua irmãzinha.
Amigos teve dois ou três, mas perdeu o contato quando terminou o segundo grau.
Na escola sempre foi medíocre. Nunca se destacou em nenhuma matéria. Só se destacava na escola por sua magreza exagerada, motivo pelo qual ganhou vários apelidos que preferiu esquecer.
Era medíocre também na vida amorosa. Não era bonita, mas tinha seus encantos. Tinha a pele parda, as canelas finas e o cabelo crespo que armava facilmente, mas tinha seios bonitos. “Ninguém é desgraçado por completo” – pensou ela ainda mirando o teto mofado.
Nunca teve um namorado. Alguns casos, alguns amantes, mas nenhum quis levá-la para conhecer a família, nem planejar um futuro e um “felizes para sempre”.
Sua vida era realmente um caos!
Nunca fora nada para ninguém. Era invisível aos olhos do mundo. Não tinha quem a amasse, não tinha família, não tinha amigos, nunca fora motivo de orgulho para ninguém, sua vida social era ausente e sua vida sexual frustrada. Nos últimos três anos o contato mais íntimo que tinha era com sua depiladora. Achou graça no seu pensamento e começou a gargalhar sozinha. De desespero.
Levantou-se, caminhou pela casa juntando todos os tarjas pretas existentes naquele muquifo, pegou uma garrafa de vodka barata que já estava pela metade e decidira se desfazer da farsa que era sua vida. Colocou o Jim Morrisson para cantar, quis celebrar seus últimos momentos de vida com ele. Voltou para a cama e lentamente foi alternando sua morte: um gole de vodka e um comprimido, um gole de vodka e um comprimido...
Sabia que este seria seu fim. Sabia que quando o efeito viesse não teria vizinhos para socorrer, nem amigos para levá-la ao hospital, era avulsa no mundo.
“This is the end beautiful friend; This is the end My only friend, the end”, cantava Jim aos berros.
Enquanto esperava sua morte olhava para o teto mofado. Não estava arrependida. Sentiu-se grande diante do mundo. Teve orgulho de si mesma.
Só queria se livrar da dor que era viver.