domingo, 21 de junho de 2009

Sobre ser adulto

Se eu soubesse que ao crescer teria tantos medos:teria pulado mais de balanços em movimento, subido em árvores até o topo e escalado montinhos de terra com muito mais frequência.

Se eu soubesse que ser adulta é tão dura:teria dado mais risadas, me lambuzado mais com sorvete e, com certeza, teria brincado muito mais na rua.

É triste olhar para trás e ver que tantos sonhos se perderam pelo caminho, tanta gente foi deixada. É muito dificil olhar para mim e ver que o que eu sou o que eu quero ser só depende de mim. Não é que eu seja dependente, mas é assustador encarar este mundo que te exige tanto quando o que você mais queria, era somente coisas simples.
Não quero me matar de trabalhar para ganhar milhões, mas me sinto na obrigação de retribuir o que meu pai me deu. Não quero me prender à uma pessoa e jurar amor eterno, mas sinto falta de alguém ao meu lado. Não quero fazer tudo o que os outros fazem para se divertirem, mas preciso me soltar de vez em quando.Fazer escolhas nunca foi meu forte.

É impossível explicar o que eu sinto, talvez meu problema exija anos de terapia, talvez não tenha solução, talvez eu seja demais para esse mundo vazio ou de menos, não tenho como dizer...


Resumindo: crescer dói! E este, definitivamente, não é o mundo que eu quero para viver.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

(IN)Feliz Dia dos Namorados.


Não tem como fugir deste dia, ele está na TV, nas rádios, na internet e nas ruas. Ahhhhh, o amor.Infelizmente, para mim, este dia não significa nada, não tenho ninguém para fazer declarações melosas e passar o dia vendo filme romântico, por isso, para não fugir do tema, resolvi listar meus cinco casais preferidos da TV/Cinema:


1 - Paul 'Fred' Varjak e Holly Golightly (Bonequinha de Luxo) - É o casal dono de um amor improvável e estranho. Mas se é amor, não tem porque ser racional.


2 - Seth Cohen e Summer Roberts (O.C.) - Amor adolescente e bem humorado, com todos os seus conflitos e descobertas. Fofos, eu diria.


3- Rui e Vani (Os Normais) - O casal de verdade, com problemas, discussões e rotina.


4- Mickey e mallory ( Assassinos por Natureza) - O casal terror. São loucos, eu sei, mas são adoraveis.


5- Joel Barish e Clementine Kruczynski (Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças) Okay, eles são complexos e talvez representem o amor na sua forma mais doída: a hora de esquecer. Esse casal toca na ferida de cada um e tenho certeza que qualquer pessoa se identifica com eles em determinado momento.


Bem, estes são meus pombinhos preferidos, e pra quem tem seu "morzinho": Feliz Dia dos Namorados.


"Cuide bem do seu amorSeja quem for."

sábado, 30 de maio de 2009

A little bit Amelie Poulain

A revista Época, desta semana, publicou uma matéria sobre Rogério Gonçalvez Cunha, um "homem-placa" que ganha a vida na Avenida Paulista.

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/1,,EMI74947-15375,00.html


Além de trabalhar de segunda a sexta, Rogério sai às ruas nos finais de semana levando cartazes com mensagens positivas, engraçadas e criativas com o propósito de melhorar o dia dos que por ali passam.
Até aí tudo bem, é uma história um tanto quanto normal, porém o que me chamou a atenção foi a alegria que este homem tem em desempenhar seu trabalho. Não é um trabalho que lhe proporciona status e muito menos rios de dinheiro, mas é o que deixa em paz seu coração.

É isso, gente! Trabalho também pode — e deve — dar prazer. Sempre me pego pensando em fazer algo que me complete a alma e me dê uma graninha no fim do mês. Não quero muito dinheiro, quero ter felicidade, ter tempo pra fazer outras pessoas felizes, ver o sol nascer, sentir a natureza. Ser um pouquinho Amelie Poulain não faz mal a ninguém.

Será que vale mesmo a pena pessoas se "matarem" por um emprego — a exemplo do programa "O Aprendiz"— com fardos pesadíssimos e humilhações públicas? Concordo que é um caminho muito mais rápido para ganhar um bom dinheiro e se tornar um bam bam bam nos negócios, mas eu, sinceramente, prefiro ser leve.
(Este comentário não tem como objetivo menosprezar o programa "O Aprendiz" e seus participantes, é apenas meu ponto de vista.)

Me anima saber que existem pessoas que fazem coisas por amor e que não levam jeito e não querem ser Gregor Samsa.




sexta-feira, 29 de maio de 2009

Memórias de uma suicida

Lá estava ela. Enviesada na cama, mirando o teto mofado de seu quarto que há muito precisava de reforma.
Indiscutivelmente sua vida era um caos, um erro que já durava 28 anos.
O pai morreu assassinado por divida de jogo na porta de sua casa há 13 anos; a mãe desequilibrada foi parar num manicômio e a irmã mais nova juntou-se com um velho rico e estava fora do Brasil.
Pobre mulher! Era uma inútil diante do mundo. Carregava no ombro uma vida traumática e solitária.
Fora uma criança frágil e introspectiva, mas sabia que tudo isso era culpa da própria mãe. Quando ainda tinha saúde mental, a humilhava publicamente por ser tímida, dizia que a menina era boba e que nunca seria nada na vida. Realmente, não era. Mas a mágoa maior era do pai, que preferia sua irmã menor descaradamente. Aos passeios de domingo com as duas meninas exibia a garotinha linda que era sua filha mais nova, deixando-a de lado, quase invisível. Um ou outro de seus amigos a olhava e dizia: “que menininha fofa esta outra”, mas ela sabia que era por dó. Não tinha a metade da graça e do encanto de sua irmãzinha.
Amigos teve dois ou três, mas perdeu o contato quando terminou o segundo grau.
Na escola sempre foi medíocre. Nunca se destacou em nenhuma matéria. Só se destacava na escola por sua magreza exagerada, motivo pelo qual ganhou vários apelidos que preferiu esquecer.
Era medíocre também na vida amorosa. Não era bonita, mas tinha seus encantos. Tinha a pele parda, as canelas finas e o cabelo crespo que armava facilmente, mas tinha seios bonitos. “Ninguém é desgraçado por completo” – pensou ela ainda mirando o teto mofado.
Nunca teve um namorado. Alguns casos, alguns amantes, mas nenhum quis levá-la para conhecer a família, nem planejar um futuro e um “felizes para sempre”.
Sua vida era realmente um caos!
Nunca fora nada para ninguém. Era invisível aos olhos do mundo. Não tinha quem a amasse, não tinha família, não tinha amigos, nunca fora motivo de orgulho para ninguém, sua vida social era ausente e sua vida sexual frustrada. Nos últimos três anos o contato mais íntimo que tinha era com sua depiladora. Achou graça no seu pensamento e começou a gargalhar sozinha. De desespero.
Levantou-se, caminhou pela casa juntando todos os tarjas pretas existentes naquele muquifo, pegou uma garrafa de vodka barata que já estava pela metade e decidira se desfazer da farsa que era sua vida. Colocou o Jim Morrisson para cantar, quis celebrar seus últimos momentos de vida com ele. Voltou para a cama e lentamente foi alternando sua morte: um gole de vodka e um comprimido, um gole de vodka e um comprimido...
Sabia que este seria seu fim. Sabia que quando o efeito viesse não teria vizinhos para socorrer, nem amigos para levá-la ao hospital, era avulsa no mundo.
“This is the end beautiful friend; This is the end My only friend, the end”, cantava Jim aos berros.
Enquanto esperava sua morte olhava para o teto mofado. Não estava arrependida. Sentiu-se grande diante do mundo. Teve orgulho de si mesma.
Só queria se livrar da dor que era viver.