A moça achava que aquilo tudo era antipatia, o que de fato não era. Eles eram tão parecidos que nada aconteceu, e tudo isso, para ela, ficou parecendo irreal.
Ambos viviam em seus próprios mundos: calados, introspectivos, quase intangíveis.
Ele usava preto, gostava de rock, tinha um rosto bonito e uma voz contida que em meio tanta gente nunca lhe era direcionada.
Ela usava preto, gostava de rock, pintava as unhas de vermelho e tinha a altura ideal. Feita na medida para ele.
Durante a noite, enquanto ele tocava despretenciosamente sua gaita ela se embriagava esperando por uma aproximação e fantasiava fazer amor com ele em cima da mesa de sinuca.
Os olhos sorriem, as mãos se tocam, e de repente tudo ficou estranho e inacabado.
Ela ainda espera desvendar os mistérios contidos nos olhos dele.
Ele? Talvez.